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Segunda-feira da Sétima Semana depois de Pentecostes

Importância do último momento da vida

Do livro "Meditações de Santo Afonso de Ligório para cada dia do ano"... Mortuo homine impio, nulla erit ultra spes, et exp...


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Meditações para todos os dias

Santo Afonso

Mortuo homine impio, nulla erit ultra spes, et expectatio sollicitorum peribit – “Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma e a expectação dos ambiciosos perecerá” (Pv 11, 7)

Sumário. Um pagão, a quem perguntaram qual era a melhor sorte neste mundo, respondeu: Uma boa morte. Que dirá, pois, o cristão, que sabe pela fé que nesse momento começa a eterna alegria ou o eterno sofrimento? Oh! De que importância é o último momento, a última respiração, o último cair do pano sobre o teatro do mundo! Que loucura, portanto, a nossa, se, por amor aos prazeres vis e passageiros deste mundo, nos expuséssemos ao perigo de morrermos de morte desgraçada e de irmos sofrer para sempre no inferno!

I. Que loucura! Por amor aos miseráveis e breves prazeres de tão curta vida, correr o risco de uma morte desgraçada e com esta principiar uma eternidade desgraçada! De que importância é o último momento, a última respiração, o último cair do pano sobre o teatro do mundo! Vale uma eternidade, ou de todas as alegrias, ou de todos os tormentos; uma vida, ou sempre feliz, ou sempre desgraçada! – Consideremos que Jesus Cristo quis morrer de morte tão ignominiosa e amarga para nos obter uma boa morte. Tantas vezes Ele nos convida, nos dá tantas luzes e nos avisa por tantas ameaças, afim de que nos determinemos a consumar o nosso último instante na graça de Deus!

Até um pagão, Antisthenes, a quem perguntaram qual era a melhor sorte neste mundo, respondeu: Uma boa morte. Que dirá, pois, um cristão, que sabe pela fé que então começa a eternidade, de forma que lhe cabe uma das duas sortes, ou a que traz a eterna alegria ou a que traz consigo o eterno sofrimento? – Se metessem num saco dois bilhetes, um com a palavra inferno, outro com a palavra céu e vos mandassem tirar a sorte, que precaução não tomaríeis para tirar a que vos desse direito ao céu? Como os desgraçados, condenados a jogar a vida, tremem ao estender a mão para lançar os dados, de cuja sorte depende a sua vida ou a sua morte!

Quais serão as tuas agonias, quando te aproximares desse último momento, quando tiveres de dizer: Do instante que se avizinha, depende a minha vida ou a minha morte eterna! Vai ser decidido se serei feliz para sempre ou desesperado para sempre! – São Bernardino de Sena conta que um príncipe, ao expirar, disse muito consternado: Eu que possuo tantas terras e palácios no mundo, não sei qual será a minha morada se vier a morrer esta noite! – meu Jesus, que será de mim no último instante da minha vida? Ah! Não me permitais que me perca e fique privado de Vós, meu único Bem.

II. Meu irmão, se acreditas que hás de morrer, que há uma eternidade, e que se morre só uma vez, porque não tomas a resolução de começar desde já, à hora em que lês estas reflexões, a fazer tudo que puderes para alcançares uma boa morte? Tremia um Santo André Avellino, dizendo: Quem sabe qual a sorte que me espera na outra vida? Tremia um São Luiz Bertram, e tremia de tal sorte, que não podia conciliar o sono, quando lhe vinha este pensamento: Quem sabe, se não te condenarás? – E tu, que tens talvez muitos pecados, não tremes?

Procura remediar em tempo e decide a dar-te a Deus com todas as veras; começa desde já uma vida que não te aflija, mas console na morte. Aplica-te à oração, frequenta os sacramentos, evita as ocasiões perigosas, e, se preciso for, deixa até o mundo, segura enfim a tua salvação eterna, e persuade-te de que, para segurar a tua salvação, não há precaução que seja exagerada.

Ó meu amado Salvador, quanto Vos sou obrigado! Como é que pudestes prodigalizar tantos benefícios a um ingrato, a um traidor, como eu tenho sido? Vós me criastes e, criando-me, já prevíeis as injúrias que Vos faria um dia. Morrendo por mim resgatastes-me e desde então prevíeis as minhas futuras ingratidões para convosco. Apenas entrado no mundo, voltei-Vos as costas e assim me entreguei à morte; mas Vós, por vossa graça, me restituístes à vida. Era cego, e Vós me iluminastes; tinha-Vos perdido, e Vós Vos deixastes achar por mim; era vosso inimigo e fizestes-me vosso amigo.

Ó Deus de misericórdia, fazei-me conhecer as obrigações que Vos tenho; e fazei-me chorar as ofensas que Vos fiz! Ah! Vingai-Vos de mim, dando-me uma grande dor dos meus pecados e não me castigueis privando-me da vossa graça e do vosso amor. – Ó Pai Eterno, aborreço e desteto soberanamente todas as injúrias que Vos fiz. Tende piedade de mim, por amor de Jesus Cristo. – Maria, minha Rainha e minha Mãe, ajudai-me com a vossa intercessão.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 235-237)

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Morte
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