logo burning flame
homeLivrosAutoresTópicosAprendaContato
logo burning flame
Terça-feira da Décima Semana depois de Pentecostes

A morte dos Santos é preciosa

Do livro "Meditações de Santo Afonso de Ligório para cada dia do ano"... Pretiosa in conspectu Domini mors sanctorum eius –...


Image for Meditações para todos os dias
Meditações para todos os dias

Santo Afonso

Pretiosa in conspectu Domini mors sanctorum eius – “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte de seus Santos” (Sl 115, 5)

Sumário. A morte assusta os pecadores, que sabem que da primeira morte, do estado de pecado, passarão à segunda, que é eterna. A morte é, porém, o consolo das almas boas, que, confiadas nos merecimentos de Jesus Cristo, tem indícios suficientes para estarem moralmente certas de se achar na graça de Deus. Para estas a morte é preciosa, porque é um repouso suave depois das angústias padecidas no combate contra as tentações, ou em aplacar os temores e os escrúpulos de desagradar ao Senhor. Oh, que consolo poder dizer: Nunca mais ofenderei ao meu Deus!

I. A morte assusta os pecadores, que sabem que da primeira morte, do estado de pecado, passarão à segunda, que é eterna. Não amedronta, porém, as almas boas, que, confiadas nos méritos de Jesus Cristo, têm suficientes indícios para terem certeza moral de que se acham na graça de Deus. – Por isso aquele Proficiscere : Parte, ó alma, deste mundo, que tanto perturba os que morrem contra a sua vontade, não perturba os santos, que desprenderam o coração de todo o amor terrestre e com todas as verás sempre disseram: Deus meus et omnia – “Meu Deus e meu tudo” .

Para estes a morte não é um tormento, mas o repouso depois das angústias padecidas no combate contra as tentações e das inquietações causadas pelos escrúpulos e temores de ofender a Deus. Neles se realiza o que escreve São João:

Beati mortui qui in Domino moriuntur! Amodo iam dicit Spiritus: ut requiescant a laboribus suis (1) – “Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor! Desde agora diz o Espírito que descansem de seus trabalhos”.

– Quem morre no amor de Deus, não se perturba pelas dores que acompanham a morte; muito ao contrário, nelas se compraz, oferecendo-as a Deus como os últimos restos da sua vida. Oh! Que paz tão profunda goza o que morre resignado, abraçado com Jesus Cristo, que escolheu para si uma morte amargosa e desolada, a fim de nos obter uma morte suave e resignada!

Ó meu Jesus, Vós sois meu Juiz, mas sois também meu Redentor, que morreu para me salvar. Não era mais digno de Vos amar, mas, pelos vossos benefícios, me atraístes a vosso amor. Se é vossa vontade que eu morra desta doença, de boa mente aceito a morte. Sei que não mereço entrar logo no céu; contente estou de ir ao purgatório para ali padecer quanto Vos agrada. A minha pena mais grave será ver-me longe de Vós, suspirando por ir ver-Vos e amar-vos face a face. Portanto, meu amado Salvador, tende piedade de mim.

II. Não se pode viver nesta vida sem culpas. Eis o motivo porque as almas amantes de Deus desejam a morte. Este pensamento enchia o Padre Vicente Carafa de consolação na hora da morte; ele disse: “Visto que acabo de viver, acabo de ofender ao meu Deus”. Certa pessoa mandou, aos que a assistiam, que na hora da morte lhe repetissem muitas vezes estas palavras: Consola-te, visto ter chegado o tempo em que não poderás mais ofender a teu Senhor.

Com efeito, o que é para nós nosso corpo senão uma prisão, na qual a alma está encarcerada sem poder unir-se a seu Deus? Pelo que o amante São Francisco exclamou na hora da morte, com o Profeta: Educ de custodia animam meam (2) – Senhor, livrai-me a alma deste cárcere que a impede de Vos contemplar. – São Pionio Mártir, quando já estava ao pé do patíbulo, mostrou-se tão alegre, que as pessoas presentes, admiradas de tão grande alegria, lhe perguntaram, como é que podia estar tão radiante de alegria, estando tão próximo da morte. “Estais enganados”, respondeu o Santo, “eu não vou à morte, mas à vida que me fará viver eternamente.”

Meu dulcíssimo Jesus, graças Vos dou por não me terdes deixado morrer quando estava em vossa desgraça e por Vos haverdes conquistado meu coração pela grande bondade que tivestes para comigo. Quando penso nos desgostos que Vos causei, quereria morrer de dor. Em vossas mãos deposito a minha alma que já estava perdida. Lembrai-Vos, Senhor, de que a resgatastes com o preço de vossa morte: Redemisti me, Domine, Deus veritatis (3) . – Amo-Vos, ó bondade infinita, e desejo sair já deste mundo para Vos ir amar com amor mais perfeito no céu. Mas, enquanto ficar ainda nesta terra, fazei-me sempre conhecer melhor a obrigação que tenho de Vos amar. Meu Deus, dignai-Vos aceitar-me: sou todo vosso, a Vós me consagro e em Vós confio pelos merecimentos de Jesus Cristo. – Ó Maria, minha esperança, confio também na vossa intercessão.

Referências:

(1) Ap 14, 13 (2) Sl 114, 8 (3) Sl 30, 6

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 290-293)

Tópicos nesta meditação:

Morte
Sugerir um Tópico

Gostou da leitura? Compartilhe com um amigo...

previous

Importância do último fim

Segunda-feira da Décima Semana depois de Pentecostes